Biometano no transporte público:
Novo Hamburgo (RS) inicia testes com primeiro ônibus 100% movido a gás renovável
Em projeto pioneiro no estado, veículo será avaliado por 30 dias. Combustível é gerado a partir do biogás captado nos aterros sanitários que recebem os resíduos do município, impulsionando a economia circular.
O município de Novo Hamburgo entrou para a história do transporte público do Rio Grande do Sul ao receber, nesta quarta-feira (20), o primeiro ônibus movido 100% a biometano do estado. A iniciativa, que coloca a cidade na vanguarda da descarbonização veicular, é fruto de uma parceria entre a Prefeitura Municipal, a Viação Santa Clara (Visac) — operadora do sistema local —, a Agrale e a Ultragaz.
A circulação oficial do veículo tem início nesta quinta-feira (21). Com capacidade para 20 assentos, o micro-ônibus passará por um período de testes de aproximadamente 30 dias. A operação abrangerá diversas linhas e extensões do município, operando prioritariamente em horários de menor demanda. O objetivo é colocar a tecnologia à prova em diferentes topografias: áreas mais planas, como o bairro Santo Afonso; regiões com aclives, na zona Norte; e trajetos de longas distâncias, como o bairro Lomba Grande.
Economia Circular e Descarbonização
Para o setor de bioenergia, o grande destaque do projeto está na origem do combustível. O abastecimento é feito com cilindros de biometano produzidos a partir da captação e purificação do biogás de aterros sanitários localizados em São Leopoldo e Minas do Leão. Esses aterros são os destinos das cerca de 200 toneladas diárias de resíduos gerados pela própria cidade de Novo Hamburgo, fechando o ciclo da economia circular.
"Transformar algo ruim, que é o lixo, em algo bom, descarbonizando nossos resíduos e transformando em energia que move a nossa população, faz parte da nossa preocupação com o meio ambiente e a qualidade de vida dos hamburguenses", ressaltou o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Anderson Bertotti.
Viabilidade Econômica e o Futuro da Frota
A adoção do biometano no transporte de passageiros exige um investimento inicial superior — o custo de aquisição do ônibus a gás é cerca de 20% maior se comparado a um modelo similar a diesel. No entanto, o projeto aposta na viabilidade a longo prazo, ancorada no menor preço do combustível renovável e em uma manutenção mecânica mais barata e menos recorrente.
Durante o período de rodagem, os dados de desempenho e custos serão rigorosamente monitorados e, posteriormente, avaliados pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tecnológicos Avançados (IBETA). Segundo o prefeito Gustavo Finck, os resultados deste projeto-piloto definirão os próximos passos da mobilidade urbana no município.
Caso os testes comprovem a eficiência e a atratividade econômica do biometano, a Administração Municipal planeja uma renovação progressiva de sua frota. A transição energética está diretamente alinhada aos planos futuros da gestão de Novo Hamburgo, que projeta a implementação da "Tarifa Zero" no transporte público até o ano de 2028.