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Aterro de Seropédica capta 25 mil Nm³ de biogás por hora e reforça papel dos aterros na transição energética

CTR-Rio, em Seropédica, capta 25 mil Nm³/h de biogás e transforma resíduos urbanos em biometano, reforçando o papel dos aterros sanitários na transição energética e na descarbonização.

Redação Energia e Biogás
Redação Energia e Biogás
Publicado em 19 de jun, 2026
Aterro de Seropédica capta 25 mil Nm³ de biogás por hora e reforça papel dos aterros na transição energética
Foto: Aterro de Seropédica capta 25 mil Nm³ de biogás/h. Divulgação: Regenera Rio

Aterro de Seropédica capta 25 mil Nm³ de biogás por hora e reforça papel dos aterros na transição energética

Unidade recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por dia e transforma passivos ambientais em combustível renovável

A gestão dos resíduos urbanos tem ganhado protagonismo na agenda de transição energética e descarbonização. No Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), em Seropédica, a destinação adequada dos resíduos vai além da disposição final e inclui o aproveitamento energético do biogás gerado pela decomposição da matéria orgânica.

Responsável por receber cerca de 10 mil toneladas de resíduos por dia, o CTR-Rio é abastecido por materiais provenientes da capital fluminense, por meio de cinco Estações de Transferência de Resíduos (ETRs) localizadas nos bairros do Caju, Marechal Hermes, Santa Cruz, Bangu e Jacarepaguá. Além da capital, a unidade também recebe resíduos de municípios da região metropolitana.

Durante o processo natural de decomposição da matéria orgânica presente nos resíduos, ocorre a geração de biogás. No CTR-Rio, aproximadamente 25 mil Nm³ desse gás são captados por hora e encaminhados para purificação, dando origem ao biometano, combustível renovável capaz de substituir fontes fósseis.

Segundo a Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), os aterros sanitários estão entre as principais fontes de produção de biometano no país, reforçando o papel estratégico da gestão de resíduos na transição energética e na redução das emissões de gases de efeito estufa. Nesse contexto, o CTR-Rio se posiciona como um exemplo de como a gestão integrada de resíduos pode transformar um passivo ambiental em uma solução energética, com benefícios para o clima e para a economia.

"Um dos grandes desafios é que sejam desenvolvidas políticas públicas de longo prazo para equilibrar a capacidade de purificação do biogás em biometano. Quando esse movimento acontece, há alinhamento entre demanda e oferta, criando condições para o desenvolvimento sustentável do setor", afirma Maurício Batista, diretor-presidente da Regenera Rio.

Da era dos lixões à gestão integrada de resíduos

Atualmente, parte do biometano gerado a partir dos resíduos já é utilizada na operação logística associada ao aterro, contribuindo para a substituição gradual de combustíveis fósseis nos próprios caminhões operados pela Regenera Rio. 

Outro processo relevante da operação envolve o tratamento do chorume gerado pelos resíduos. Diariamente, são produzidos entre 1,5 mil e 2 mil m³ de chorume, podendo alcançar 12 mil m³ em períodos de chuva. Para atender às variações de volume, o aterro sanitário dispõe de capacidade de armazenamento de 315 mil m³.

Parte do volume é convertido em água de reúso, utilizada na umectação das vias internas por onde circulam os caminhões dentro do próprio aterro. O sistema é complementado por camadas de proteção que impedem o contato dos resíduos com o solo e o lençol freático, atendendo às exigências ambientais da operação.

Com vida útil prevista para além de 2070, o CTR-Rio simboliza uma mudança no modelo de gestão dos resíduos urbanos adotado no estado do Rio de Janeiro. O aterro sanitário pavimentou uma passagem segura de substituição do antigo lixão de Jardim Gramacho, desativado em 2012, e passou a incorporar processos voltados ao aproveitamento energético dos resíduos e ao tratamento de subprodutos da operação.

O Brasil ainda tem espaço para avançar na reciclagem de materiais como plástico, papel, papelão, vidro e metais, que já possuem mercado consolidado para reaproveitamento. Entre os desafios do setor estão a ampliação da capacidade de triagem e o fortalecimento da inclusão socioprodutiva de catadores e cooperativas, permitindo que mais materiais retornem como valor à cadeia.

"Os aterros sanitários modernos passaram de estruturas simples de destinação para plantas operacionais integradas, que desempenham um papel estratégico nas agendas de transição energética, contribuindo para a redução de emissões, geração de energia renovável e o fortalecimento de iniciativas que promovem inclusão social e economia circular", conclui Batista.

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