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Do Sirius ao Biometano: como a ciência de fronteira impulsiona a transição energética no Brasil

Do Sirius ao Biometano: como a ciência de fronteira impulsiona a transição energética no Brasil

Muito além da física de partículas, entenda como a parceria estratégica entre pesquisadores brasileiros e a indústria global busca transformar resíduos complexos da cadeia sucroenergética em energia renovável.

 

Por Carlos E. Souza,

Nos últimos dias, estive lendo sobre o CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, em português Organização Europeia para a Investigação Nuclear), o maior centro de pesquisa em física de partículas do mundo, e refletindo sobre outras instituições de excelência científica espalhadas pelo planeta, como o Max Planck Institute for Plasma Physics, na Alemanha, e tantos outros laboratórios que operam na fronteira do conhecimento.

No Brasil, é raro encontrarmos estruturas dessa magnitude. Mas temos um ativo científico que merece muito mais atenção do que normalmente recebe: o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, onde está instalado o Sirius, uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo.

Quando se fala em grandes centros de pesquisa, é comum imaginarmos colisões de partículas, física de altas energias ou mesmo os desafios da fusão nuclear. No entanto, a ciência de fronteira também pode estar voltada para problemas muito mais próximos do nosso cotidiano e da nossa economia.

É justamente nesse contexto que chama atenção o anúncio de um investimento de R$ 26,4 milhões, por meio da Unidade EMBRAPII - Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial do CNPEM, em parceria com a Equinor, para desenvolver tecnologias capazes de transformar resíduos da cadeia sucroenergética em biometano.

À primeira vista, pode parecer apenas mais um projeto ligado à transição energética. Mas há algo mais profundo acontecendo.
O Brasil já "domina a produção de biometano a partir de diferentes correntes orgânicas", embora existam desafios operacionais e regulatórios a serem superados. O desafio agora é avançar sobre matérias-primas mais complexas, especialmente aquelas de natureza lignocelulósica, como parte dos resíduos gerados pela produção de etanol e açúcar.

Em outras palavras, trata-se de utilizar ciência e engenharia de ponta para extrair mais valor energético de recursos que hoje ainda possuem aproveitamento limitado.

Não por acaso, uma empresa global de energia como a Equinor está participando desse esforço. Afinal, ninguém investe em pesquisa aplicada dessa natureza sem enxergar potencial de mercado para a molécula produzida no futuro.

A notícia também reforça uma reflexão importante: a expansão do biometano não depende apenas da disponibilidade de resíduos. Depende da capacidade de desenvolver processos cada vez mais eficientes para converter biomassa em energia renovável.

E é exatamente aí que instituições como o CNPEM desempenham um papel estratégico.

Não me refiro à descoberta de uma "nova partícula elementar" ou à "reprodução das condições do interior das estrelas". Mas, sim, a respeito de ciência de alto nível aplicada a um dos grandes desafios energéticos do Brasil: transformar resíduos em valor, reduzir emissões e ampliar a oferta de combustíveis renováveis.

 

 

Como sua empresa está acompanhando essas inovações?

O futuro do biogás está na bancada do laboratório.

Acesse e saiba mais: Unidade Embrapii CNPEM: R$ 26,4 milhões para transformar resíduos da cana em biometano

 

 

Sobre o autor: Carlos E. Souza é Engenheiro de Produção Mecânica pela FEI, com mais de 30 anos de experiência em planejamento, controle de custos, gestão de projetos e desenvolvimento de negócios nos setores de energia, óleo & gás, indústria e infraestrutura. Atuou em grandes projetos EPC no Brasil e no exterior por empresas como Odebrecht, Bechtel, Tenenge e Worley. É fundador da G4 Energia & Meio Ambiente, ex-Diretor Técnico da ABREN (Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos) e idealizador da ZCEx (Zero Carbon Exchange), iniciativa voltada à rastreabilidade e monetização de atributos ambientais associados ao biometano. Atualmente dedica-se à análise de temas ligados à transição energética, biogás, biometano, hidrogênio e valorização energética de resíduos.

 

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